Consulta ao psicólogo


Por Thiago Benitez






- Pode falar...

- Ai, doutor! Não sei nem por onde começar. Minha mulher me abandonou, meu filho foi embora com ela. Deram veneno ao meu cachorro e roubaram meu gato!

- Continue!

- Antes eu escutava Beethoven e meu sonho era cantar. Hoje, quando eu o escuto, quero me suicidar. Não sei por quê! É uma angústia frenética que pondera no meu sistema fisiológico.

- Continue!

- Essa angústia invade meu corpo: começa no encéfalo, vai descendo pela faringe, visita o coração e quando penso que vou morrer, essa dor maligna continua descendo. Passa pelo estômago e a sinto descendo pelo meu fêmur e pelo meu orifício circular localizado na região inferior do meu glúteo. No final do dia a sinto em meus pés.

- Continue!

- Gostaria de voltar a sentir a pele de minha mulher sobre a minha. Gotas de suor se mesclando como pingos de chuva e ondas do mar. Minhas mãos firmes nas dela, o cheiro natural do seu corpo invadindo meu nariz sem pedir licença.

- Continue!

- Acho que devo esquecê-la doutor! Assim como esqueci meu peixe no forno.

- Continue!

- O que custará doutor? Nada! Então acho que vou seguir a minha vida, voltar a me lembrar que nada é bom o suficiente para merecer nosso pranto permanentemente. Se ela me deixou... Azar o dela. Filhos, eu faço outros! Cachorro, eu compro! Gato, também!

- Continue!

- Nossa, doutor! Estou me sentindo bem melhor! O senhor é bom mesmo!

- Obrigado! Continue!

- Nem preciso mais. Já estou melhor. O senhor é excelente!

- Grato em ajudá-lo. Bem na hora! Seu horário terminou! Pode pagar na recepção. Obrigado e até mais.

- Até a próxima!

(Este texto foi publicado pelo Thiago, na sétima edição do "Quixote", Fanzine do Grupo Gauche de Literatura.)

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Uma grande festa para a Literatura!

Começou no último dia primeiro a FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty.

O grande homenageado deste ano é o escritor pernambucano Manuel Bandeira.

Entre os grandes nomes internacionais estão Gay Talese, Catherine Millet. Pelo lado brasileiro, um dos mais esperados é o cantor e escritor Chico Buarque de Holanda, que daqui a pouco as 19hs (vocês podem acompanhar ao vivo) começa a mesa que reúne também o escritor amazonense Miltom Haltoum. Dizem que os ingressos terminaram em meia hora e que não se fala em outra coisa em Paraty!

A parte boa é que mesmo não estando lá, os amantes da literatura podem acompanhar as palestras e tudo o que rola por lá, através do próprio site do Evento. E o site está mesmo muito bom, nele podemos encontrar podcasts, o blog com as noticias e fotos do evento e vídeos.

Excelente iniciativa essa de deixar ao vivo e de graça que as pessoas (pelo menos as que têm internet) tenham acesso a cultura e a literatura.

Acabei de assistir ao escritor Cristovão Tezza, junto com o mexicano Mario Bellatin. Tezza, inclusive veio a Foz do Iguaçu, no Salão Internacional do Livro e sua palestra foi genial.

Para amanhã, recomendamos a palestra de Antonio Lobo Antunes, considerado desafeto do compatriota José Saramago, a partir das 19hs.

Lembrando que a FLIP vai até dia 05/07!

SITE: http://www.flip.org.br/index.php

Heróis do Cinema e da Literatura


     Por Thiago Benitez 

     Definitivamente os super-heróis das histórias em quadrinhos escolheram o ano de 2008 para invadir os cinemas. O homem morcego voltou arrepiando no filme Batman - O Cavaleiro das Trevas, um dos maiores recordes de bilheteria. Tony Stark surpreendeu interpretando O Homem de Ferro com sua sensacional armadura. Como em todos os outros filmes do super-herói verde, O Incrível Hulk foi um fracasso mundial, ao contrário de Hellboy II, que faturou 100 milhões de dólares. Hancock e Jumper foram outros dois filmes bem redondos que não deixaram a desejar devido aos sensacionais efeitos especiais. Esses super-heróis vieram e deixaram suas marcas na história dos quadrinhos e do cinema; muitos outros virão e também farão o mesmo.

     Na literatura acontece algo semelhante: alguns heróis surgem, fazem sucesso e depois desaparecem. No entanto, outros permanecem estáveis por muitos anos, como os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas e Dom Quixote de Cervantes, que se eternizou pela incomparável bravura. Isso para não falar dos heróis de Shakespeare, Virgílio, Homero, entre outros. Mário de Andrade também contribuiu, construindo seu herói sem nenhum caráter: Macunaíma. Quantos heróis a literatura não construiu e quantos outros não virão?

     Atualmente, prestigiamos uma ideologia diferente de herói. Se antes eram Hércules, Aquiles e Ulisses, hoje são Shrek (um anti-herói como Macunaíma), Homem-aranha, Super-homem e infinitos salvadores (ou destruidores) do planeta. Dizer que isso é ruim seria uma incoerência, já que a definição de super-heróis de antigamente não se diferencia muito da de hoje: “Matar o bandido e salvar a mocinha”. Assim como Ulisses um dia quis salvar Helena dos Troianos (por mais que esta não tenha sido sequestrada, mas sim fugido com os gregos por livre e espontânea vontade), Peter Parker e Clark Kent também buscam salvar suas amadas.

     Segundo Umberto Eco, “enquanto um livro requer uma leitura cúmplice e responsável, uma colaboração interpretativa, o filme ou a televisão mostram-nos as coisas prontas”. No entanto, quem não tem a capacidade de ver um filme e transportá-lo para o mundo real, não consegue ver nada de interessante nas telas dos cinemas. Às vezes, existem “vazios” no filme, que o espectador precisa preencher caso queira dar sentido à história. Criatividade é necessária onde e quando for tanto na leitura de um livro quanto na apreciação de um filme. É possível criar sempre, mesmo que alguns tentem nos impedir. Criemos!

(Este artigo foi publicado pelo Thiago, na quinta edição do "Quixote", Fanzine do Grupo Gauche de Literatura.)

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Boas vindas aos séculos

por Priscila Yamany

Em pleno século XXI, o homem se gaba de todas as suas conquistas e avanços tecnológicos. A modernidade oferece às pessoas conforto e comodidade. Há liberdade de expressão, na maioria dos lugares terrestres. As pessoas tornaram-se donas de seus próprios narizes, desfrutam do livre arbítrio para sua escolha sexual, religiosa, profissional. Mesmo assim, parecendo até irracional, atitudes seculares passadas ainda prevalecem em nossa sociedade.

O preconceito, como outras atitudes ultrapassadas e superadas,  é cada vez mais evidente. Teima-se em separar os negros dos brancos, os pobres dos ricos e assim por diante. As cotas estão aí para provar... Num vestibular ou concurso, hoje, cada um fica no seu canto, dependendo de sua cor e classe econômica. Se você for negro, sua classificação será determinada separadamente dos brancos. Se você for pobre, a mesma coisa. Os nossos amigos lá de cima do continente são vangloriados por terem eleito um negro, o primeiro  negro eleito na história do país. Mas qual a diferença? Ele vai mudar o mundo pelo simples fato de ter nascido negro? As pessoas são melhores por serem negras ou não? Em pleno século XXI, as pessoas ainda insistem em discriminarem umas às outras por causa da cor ou pela classe social a qual cada um pertence. Se não discriminam, exaltam e valorizam, mas levando em consideração a pele e o status, deixando de lado os valores e o que cada um realmente é, o que realmente importa.

Do que adiantaram todas as revoluções, manifestações e panfletagem dos que acreditavam em alguma mudança, se nada mudou? Se o preconceito e a discriminação continuam camuflados em cotas e piadas por aí afora? De que adianta encher a boca para dizer 'em pleno século XXI' se na verdade as coisas não mudaram tanto assim? O século, esse século era a esperança para muitos, mas antes mesmo de ele chegar já havia um poeta profetizando: “Se você correu, correu, correu tanto e não chegou a lugar nenhum, baby oh baby bem vinda ao século XXI”. Enquanto depositarmos nossa fé e esperança nos anos e nos séculos que estão por vir e deixarmos de lado o que cada um pode fazer, o que cada um deve mudar, continuaremos cantando esse refrão para os séculos e milênios futuros. Continuaremos caminhando lentamente para lugar nenhum...

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Rabisgauche

Em nosso fanzine, o Quixote, abrimos espaço para as tirinhas de alguns de nossos amigos. 
Um deles é o Yuri Amaral, da fanzine JUMP e os outros dois são o Cassiano GalliRicardo Schwaab, colegas nossos, acadêmicos de Letras. Eles tem um blog com mais tirinhas, chamado Insetos Online. Apresentaremos aqui algumas das tirinhas deles.














Ushuaia poética

Por Laura Beatriz Lencina - Argentina

Montañas rondantes al final de la cordillera;
Arroyos de agua cristalina y casitas de madera...

Tierra de pioneros que encontraron su lugar,
pico y pala trabajaron 'la esperanza' el refrán.

Castor y Guanaco, tronquitos y piedra...
y una Margarita salvaje y pequeña.

Clara, verde primavera; la vida brotando en Ñíres y lengas.
Calafate, Parrilla y Michay, larga jornada de luz estival...

Amarillas y carmín, tus mejillas en Abril;
calma en el pecho, otoños para contemplar...
...un fresco suspiro, comienza a escarchar...

Inviernos silentes, tu gente en el hogar;
muchacha durmiendo, blanca gaviota mirando al mar!


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Ushuaia poética
tradução de Carmen Barudi

Montanhas circundantes ao final da cordilheira;
Rios de água cristalina e casinhas de madeira...

Terra de pioneiros que encontraram seu lugar,
picareta e pá trabalharam 'a esperança' o refrão.

Castor e Guanaco, tronquinhos e pedra...
e uma Margarida selvagem e pequena.

Clara, verde primavera; a vida brotando em Ñíres e lengas.
Calafate, Parrilla e Michay, longa jornada de luz estival...

Amarelas e carmim, tuas bochechas em Abril;
Calma no peito, outonos para contemplar...
... um fresco suspiro, começa a gear...

Invernos silentes, tua gente no lar;
menina dormindo, gaivota branca olhando o mar!


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Dia Nacional da Poesia - Castro Alves


Hoje, 14 de março é o Dia 

Nacional da Poesia!

E a data não foi escolhida por acaso, foi oficializado em homenagem ao nosso "Poeta dos Escravos", Antônio Frederico de Castro Alves, que vinha ao mundo em um dia 14 de março do ano de 1847, na Bahia! Infelizmente,  Castro Alves morreu aos 24 anos, vítima de tuberculose. Este grande de nossas letras ficou famoso pelos seus poemas sobre a escravidão, como Vozes d' África, Canção do Africano, Saudação a Palmares, Tragédia no Lar e Navio Negreiro. Abaixo apresentamos um poema de sua autoria!

DEDICATÓRIA
(DE ESPUMAS FLUTUANTES)

A POMBA d'aliança o vôo espraia
Na superfície azul do mar imenso,
Rente... rente da espuma já desmaia
Medindo a curva do horizonte extenso...
Mas um disco se avista ao longe... A praia
Rasga nitente o nevoeiro denso!...
Ó pouso! ó monte! ó ramo de oliveira!
Ninho amigo da pomba forasteira!...

Assim, meu pobre livro as asas larga
Neste oceano sem fim, sombrio, eterno...
O mar atira-lhe a saliva amarga,
O céu lhe atira o temporal de inverno...
O triste verga à tão pesada carga!
Quem abre ao triste um coração paterno?...
É tão bom ter por árvore — uns carinhos!
É tão bom de uns afetos — fazer ninhos!

Pobre órfão! Vagando nos espaços
Embalde às solidões mandas um grito!
Que importa? De uma cruz ao longe os braços
Vejo abrirem-se ao mísero precito...
Os túmulos dos teus dão-te regaços!
Ama-te a sombra do salgueiro aflito...
Vai, pois, meu livro! e como louro agreste
Traz-me no bico um ramo de... cipreste!

Bahia, janeiro de 1870.


Vale a pena um click!

Em nosso Fanzine, o Quixote, temos uma coluna intitulada, "Sociedade dos Poetas Nossos" em que apresentamos poemas dos membros do Gauche e de alguns convidados... A seguir apresentaremos alguns poemas, já publicados por lá... claro, sem esquecer dos nossos colaboradores internacionais!

Ingenuidade

Por Robson Fagundes  

Frases minhas se espalham,

Você as recolhe na mais

cândida ingenuidade!

São cantos de amor

Feitos com amor!

Mas meu semblante

não disfarça;

você não as lê!

Penso em recitar

E quando vejo,

Tua serena inocência me alerta

Que as deixei cair! 


Literaturar

Por Thiago Benitez 

Fazer poesias é como respirar: acontece naturalmente 
Criar contos é como beijar: é prazeroso, mas termina rapidamente 
Compor músicas é como declamar poesia: precisa-se de inspiração 
Escrever teatro é como perdoar: é sacrificante, mas depois compensa a boa ação 
Elaborar livros é como amar: precisa-se de tempo, paciência, empenho e determinação, mas no final tudo dá certo, ou não!
 


L'ESPOIR

Por Mathieu Mercier   


Même au fond du gouffre

L'espoir est toujours présent, minuscule

A chacun à trouver sa source

Pour avancer peu à peu et chaque minute  

Même dans les moments tragiques

L'espoir observe, entend et nous voit

Il faut garder cet espoir, même infirme

En donnant toute cette force d'y croire.  

L'espoir est notre ami

Que chacun de nous puisse s'y retrouver

L'espoir guidera nos vies

Suivons-le car il ne faut jamais désespérer ! 


A ESPERANÇA 

Mesmo no fundo do abismo

A esperança está sempre presente, minúscula

A cada um cabe achar sua fonte

Para avançar pouco a pouco e cada minuto 

Mesmo nos momentos trágicos

A esperança observa, ouve e nos vê

É preciso guardar esta esperança, ainda que vacilante

Dando toda esta força para nela acreditar. 

A esperança é nossa amiga

Que cada um de nós possa encontrá-la

A esperança guiará nossas vidas

Sigamo-la, pois é preciso nunca desesperar! 

Tradução do Poema: Prof. Me. Flávio Pereira

San Estanislao 

Por Carmen Barudi

 

Más que un canto quisiera yo brindarte

cuando te recuerdo Santaní,

Y aunque yo no esté más ahi

tú sigues presente dentro de mí

 

Zorzal de otras playas,

Hoja de otro árbol,

Hija de otra tierra

 

En mis pensamientos

recorro tus calles, esquinas y veredas

tus plazas, tus casas y tu famoso arroyo

que no pisé, por eso seguramente no regresé

 

Allí no quedó mi madrecita,

Ningún amor

Pero si, muchos amigos

que llevo acá conmigo en el corazón

 

Y esos mismos amigos

tomaron nuevos rumbos,

pero siempre que pueden

regresan a tí

 

Como quisiera hacer lo mismo

pasar por las calles, esquinas y veredas

De ese pueblo de Santaní


Pra fechar um poema muito especial para este grupo, não é "Gauche mor"?


POEMA DE SETE FACES
de Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.


O homem atrás do bigode
é serio, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.


Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.


Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


Agora é sua vez! Comemore o Dia da Poesia com a gente!!!

Se você tem algum escrito que queira compartilhar conosco, deixe nos comentários!
Se não escreve poesia, vá no google, digite seu poeta favorito e copie um poema, sem esquecer de mencionar o site e principalmente o poeta! Que esse dia seja inspirador para todos! 

Poema Navio Negreiro de Castro Alves



Todas as edições do Quixote em 2008

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